Existe um tipo que tem um raciocínio semelhante ao meu, um tipo, contudo, capaz de algumas subtilezas que me escapam. Dá-se o seguinte caso: o tipo tem dinheiro a receber de um sujeito que vive a vários quilómetros, um sujeito, contudo, ocupado e que só dentro de dois dias tem tempo para pagar.
O tipo, então, diz-me: vou lá buscar o dinheiro. Eu poiso uma caneca e respondo que espero que o gasto em gasolina não exceda a quantia a receber. Quando pego novamente na caneca sou, muito naturalmente, um tipo vaidoso do meu raciocínio: um raciocínio que, apesar de não ser brilhante, é prático e analítico. Mas eis que o tipo admite a possibilidade do sujeito morrer entretanto, pelo que considera claramente que o risco deve ser evitado.
Ora este tipo que eu conheço não vai matar o outro. Não é um assassino, é só um tipo ainda mais analítico que eu.